CONJUNTURA ECONÔMICA
Após três meses seguidos de altas expressivas no
mercado brasileiro, o movimento descendente foi inevitável no mês de junho. O
principal benchmark local perdeu fôlego com a desaceleração da entrada de
capital estrangeiro, atingindo queda de 3,26% no período. O saldo entre entrada
e saída de capital externo apresentou desempenho negativo em R$ 1,03 bilhão
este mês. No mercado norte americano os principais índices apontaram estabilidade
ou leve queda. O S&P 500 fechou em alta de 0,02% e o Dow Jones contemplou
desvalorização de 0,63%.
E agora, qual será o rumo da bolsa no próximo
semestre? Esta é a pergunta que ecoa nos bastidores do mercado financeiro. Em
geral, a resposta é que o mercado subiu rápido demais, e deve apresentar
desempenho mais conservador no curto prazo, podendo atingir oscilações
negativas. Mas o consenso ainda é de que a tendência de médio/longo prazo é de
alta. Em nossa opinião, dois fatores impulsionaram o desempenho do IBOVESPA
neste primeiro semestre: a perfomance acima das expectativas de alguns
indicadores de atividade e confiança, principalmente nos EUA, e,
consequentemente, a notória entrada de capitais estrangeiros no mercado
acionário. Entretanto, assim como o bom desempenho desses fatores beneficiaram
a bolsa em um primeiro momento, sua leve deterioração impactou negativamente o
mercado este mês. Assim mesmo, considerando os bons fundamentos da economia
nacional e a estabilização do sistema financeiro mundial, compartilhamos a
opinião de que o mercado acionário ainda é um bom negócio.
Pelo lado dos indicadores, observamos desempenho
abaixo do esperado no front externo. O destaque negativo foi a confiança do
consumidor medida pela Conference
Board, nos EUA, que veio muito aquém
das expectativas. O mercado projetava aproximadamente 55 pontos, enquanto o
indicador atingiu 49,3 pontos. No dia, esta divulgação foi suficiente para mudar
o humor do investidor na bolsa norte-americana, o que refletiu negativamente no
mercado brasileiro. Além disso, outros dados decepcionaram os investidores. As
vendas de novas casas vieram abaixo das expectativas atingindo 342 mil
unidades, número inferior ao observado no mês anterior, e o PIB norte americano
do primeiro trimestre do ano atingiu queda de 5,5% em relação ao 4º trim/08.
Entre dados positivos e negativos, o investidor esteve
inserido em um cenário de maior incerteza ao longo deste mês. Entretanto, é
normal que haja oscilações na atividade econômica durante a busca por
estabilidade nas economias maduras. Ainda assim, estamos contemplando um quadro
menos arriscado, tanto no sistema financeiro, que parece estar estabilizado,
como em relação aos desinvestimentos das empresas (corte de funcionários,
desativação de fábricas e outros). Uma coisa é certa, cessando-se os efeitos psicológicos
da crise financeira e o intenso retorno do capital estrangeiro ao Brasil,
eventos que distorceram a precificação dos ativos, esperamos que os fundamentos
voltem a imperar no valor das ações, ou seja, devemos observar um mercado mais
maduro e menos eufórico nos próximos meses.
Então vamos aos fundamentos. Nas economias
maduras, o único movimento já definido nas
projeções para o cenário macroeconômico é a estabilização econômica. Não devemos
observar indicadores de recuperação para estes mercados em 2009, pois estes ainda
sofrem os impactos devastadores da crise. O payroll (Indicador
de emprego norte americano) pode mostrar esta afirmação de forma clara.
Conforme podemos observar na figura abaixo,
a economia norte-americana continua perdendo milhares de postos de trabalho, ainda que em ritmo menor, ou seja, a deterioração perdeu força, mas ainda existe. Vale lembrar que um sistema financeiro estabilizado e menor risco de “quebradeira” não são suficientes para promover o crescimento econômico. Este movimento só vai ocorrer quando as empresas se sentirem confortáveis para realizar investimentos, o que não deve ocorrer tão cedo naquelas economias. Pelo lado positivo, acreditamos que mais cedo ou mais tarde o atual nível da taxa básica de juros nos EUA deve abrir o apetite das companhias para realizar investimentos. Não é sempre que as empresas contam com um custo de capital tão baixo. Esperamos observar este fenômeno a partir da segunda metade de 2010, quando as políticas anticíclicas, aliadas ao crescimento dos países emergentes, devem engrenar a economia mundial.
Por falar em países emergentes, os dados divulgados no Brasil continuam traçando um cenário
futuro melhor do que o passado. O CAGED anunciou geração líquida de 131,5 mil
postos de trabalho em maio, mantendo a tendência positiva que já havia
apresentado em abril (+106 mil postos). O PIB brasileiro referente ao primeiro
trimestre caiu 0,8%, abaixo das expectativas de 2,5% de queda no período. Os
dados de confiança divulgados pela FGV continuam se destacando. A confiança do
consumidor atingiu 106,4 pontos em junho, reportando alta de 4,1% ante o mês de
maio de 2009, e o Índice de Confiança da Indústria cresceu 4,8% na passagem de
maio para junho.
Para dar continuidade à retomada da atividade
econômica nacional, o governo manteve uma das políticas mais eficazes no
combate à recessão, a redução do IPI. A medida foi prorrogada em diversos
setores da economia (automobilístico, materiais de construção e linha branca).
Como resultado destas intervenções, continuamos observando desempenho relativamente
favorável nas vendas automobilísticas. Segundo dados da ANFAVEA, em maio o
volume de licenciamento de autoveículos cresceu 5,4%, na comparação com abril. No
acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o volume licenciado ficou em linha
com o desempenho observado no mesmo período do ano passado. Além da política
fiscal em evidência no cenário econômico brasileiro, destacamos a política
monetária, que surpreendeu os economistas, promovendo mais um corte de 1 p.p.
na taxa básica de juros.
Continuamos trabalhando com 9% para o final de 2009. Em
linhas gerais, nossas perspectivas não mudaram para bolsa de valores e nem para
a economia. O mercado de capitais no segundo semestre do ano tem condições de apresentar
desempenho positivo, principalmente se os resultados corporativos confirmarem o
discurso mais otimista das empresas. Por isso, continuamos com a estratégia
utilizada no mês anterior para formar nossa carteira mensal. Acreditamos que o
investidor deve continuar buscando as melhores oportunidades, considerando o
processo de retomada econômica, taxas de juros menores e países emergentes em
destaque no cenário mundial.
Equipe: Análise de Investimentos Coinvalores
Por: Equipe Análise de Investimentos Coinvalores
